• Patricia Seiko Okamoto

A relevância da seleção de projetistas e das parcerias de sucesso para o desempenho dos edifícios

Atualizado: Set 27

Como sua empresa seleciona seus parceiros de projeto?



A obtenção do desempenho em um edifício depende essencialmente de 4 fatores, como abordamos com mais detalhes neste artigo: (1) dos projetos; (2) das características de materiais e sistemas; (3) da execução e (4) das operações e das manutenções no edifício.


Neste sentido, a formação de parcerias entre as empresas, tende ser uma estratégia bastante interessante, uma vez que estimula maior integração e colaboração entre os agentes, tendo eles objetivos comuns.


Tratando das fases anteriores à entrega do edifício para o usuário final, inúmeras possibilidades de parcerias podem ser constituídas.


Frequentemente encontramos empresas incorporadoras e construtoras encabeçando e buscando a formação destas relações mais duradouras, visando essencialmente alguma redução de custos, mas não somente isto. Quando o fazem adequadamente, procuram estabelecer conexões com empresas e com profissionais em quem confiam tecnicamente, que entregam produtos com a qualidade desejada, nos prazos acordados e que se mantém disponíveis para resolução de diversos conflitos e/ou imprevistos que podem ocorrer até a entrega, ou até após a entrega da obra.


Com menor frequência, visualizamos parcerias entre empresas de projeto ou destas com empresas de consultoria, mas as exigências da NBR 15.575, passaram a encorajar mudanças neste cenário. A Norma de desempenho é bem clara no capítulo 5 da parte 1, na qual estão descritas as "Incumbências dos intervenientes" ou seja, no texto em que trata dos papéis de cada agente. O papel do projetista é o de estabelecer a vida útil de projeto e o de "especificar materiais, produtos e processos que atendam o desempenho mínimo ...". Parece simples? A realidade mostra que muitos profissionais não sabem nem por onde começar.


Muito está se exigindo em relação aos projetos (realmente a palavra “projeto” é repetida inúmeras vezes na Norma de desempenho) e, consequentemente, bastante se espera de todas as empresas e profissionais que desenvolvem esta atividade. Entre eles, destaca-se o arquiteto, profissional que, pela própria etimologia, deveria ser o grande mestre construtor, ou como passou a ser considerado após o Renascimento: o principal responsável pelos projetos de uma edificação.


Inúmeras são as discussões sobre as dificuldades para o arquiteto brasileiro assumir de fato esta responsabilidade, tais como: currículo inapropriado nos cursos de graduação, nunca ter sido demandado antes e por isto não sabe como fazer, baixa remuneração e valorização no mercado, entre outros.


Em muitas ocasiões as empresas incorporadoras e construtoras contratam profissionais e assumem a responsabilidade sobre atividades que o arquiteto deveria assumir, visto que ao ocorrer algum problema em um edifício são estas as primeiras a serem acionadas. Trata-se de uma questão de necessidade! Projetos com falhas de concepção, com problemas de planejamento e/ou de compatibilização são sinônimos de grandes prejuízos em obras e com assistência técnica por muitos anos!


O que ocorre quando não há o que chamamos de "responsabilidade compartilhada"? O que acontece quando as empresas incorporadoras e construtoras deixam de contratar os profissionais especializados, despejando a responsabilidade total sobre o atendimento da NBR 15.575 e demais normas técnicas de projetos nas costas do arquiteto e demais projetistas? Estariam estas equivocadas em suas decisões em termos normativos?


Segundo ainda a NBR 15.575, o papel do Incorporador é o identificar riscos na época do projeto principalmente aqueles relativos à implantação do empreendimento e que envolvam impactos de cunho ambiental. O papel do construtor é o de construir conforme os projetos, certificando-se em aplicar e executar a obra conforme todas as especificações. É responsabilidade de um ou de outro informar prazos de garantia e disponibilizar, através de manuais de uso e operação, todas as informações necessárias para que os usuários finais possam utilizar e realizar as manutenções da edificação, de forma que esta e suas partes tenham vida útil e durabilidade desejadas.


A verdade é que uma das formas mais práticas de se contornar esta situação em que os arquitetos se vêem extremamente demandados é a formação de parcerias com outros profissionais que se especializaram em segmentos e assuntos diferentes dos quais suas oportunidades ou interesses lhe direcionaram ao longo de sua carreira.


Fazendo um paralelo com a medicina, parece que nos aproximamos da situação em que o arquiteto passa a ter um papel semelhante como o do “clínico geral” e, diante às situações específicas, o encaminha para um especialista: de estudos de acústica, de térmica, de luminotécnica, de paisagismo, de interiores, de coordenação, de BIM, entre outros.


Observamos que, de uma forma geral, as parcerias entre escritórios de projetos e entre estes e consultores ocorre predominantemente tendo em vista a complementação de atividades para suprir as necessidades dos clientes, sob a forma de um trabalho colaborativo. É claro que encontramos grandes escritórios de arquitetura que possuem estes profissionais incorporados como celetistas, mas estes não são a grande maioria no Brasil. Segundo apuração do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), realizada em parceria com o Instituto Datafolha em 2019, 55% dos arquitetos são profissionais liberais ou autônomos. Além disso, 85,71% das empresas de arquitetura e engenharia consultiva possuem até 4 profissionais, é o que dizem os dados de 2017 do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (SINAENCO).


E como selecionar adequadamente parceiros para que desenvolvam projetos ou para que realizem trabalhos complementares ao seu? Afinal de contas, o produto final de sua empresa depende da qualidade dos serviços prestados e produtos entregues por eles.


Além dos aspectos relacionados à saúde financeira e indicações, outros de grande relevância devem ser observados e acompanhados. Neste sentido, podemos criar, estruturar e também contratar ferramentas para que possam nos auxiliar neste processo. Independente da escolha, estas ferramentas devem levar em conta basicamente aspectos relacionados ao atendimento de prazos, à qualidade do produto e à qualidade do atendimento.


Perceba que neste processo, o aspecto custo não está incluso, pois acreditamos que os valores despendidos são sempre relativos. No estabelecimento de verdadeiras parcerias, pode-se optar por não contratar a empresa que oferece os serviços de elaboração de projeto ou de consultoria pelo menor valor, mas por outro lado, sempre se devem levar em conta os potenciais benefícios a médio e a longo prazo que a relação pode trazer para a empresa, para seus processos e para o seu produto final, quer seja ele um projeto ou mesmo o edifício.


E assim deve sempre ser: uma via de duas mãos. Isto não impede que neste acordo, a empresa de projeto ofereça um valor diferenciado à contratante, mas este não deve ser o principal fator para o estabelecimento e permanência na relação.


Sua empresa já tem uma metodologia para seleção, avaliação e retroalimentação para embasar tomadas de decisões em relação às escolhas de empresas de projeto parceiras? Pondera a escolha do parceiro segundo os aspectos de mais valia para sua empresa e segundo as características de cada empreendimento? Quais são os critérios que sua empresa utiliza para selecioná-los? Está considerando as demandas apresentadas na NBR 15.575 para o estabelecimento destas relações?


A seleção de fornecedores quer sejam de projetos, materiais ou mão de obra, deve ser estratégica e é de grande importância para a obtenção do desempenho nos edifícios.


A Qualitéch pode auxiliá-lo neste processo de somar qualidades, orientando-lhe em como criar conexões adequadas e seguras para sua empresa, visando o desempenho das edificações.


Entre em contato conosco!


Qualitéch Consultoria e Projetos LTDA

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